Durante
o expediente político da Câmara de Vereadores de Erechim, a vereadora
enfermeira Éclesan Palhão voltou a cobrar do Poder Executivo a ampliação do
programa municipal de distribuição de sensores de monitoramento contínuo de
glicose. A manifestação ocorreu durante o Novembro Azul, mês de conscientização
sobre o diabetes, e trouxe dados oficiais que apontam a existência de 747
sensores em estoque, enquanto apenas 19 pacientes estão cadastrados e recebem
os dispositivos Libre pelo município.
“Uma
criança com diabetes tipo 1 cresce, torna-se adulta, mas a doença continua. Não
podemos permitir que essas pessoas deixem de ter acesso ao monitoramento,
principalmente quando temos equipamentos disponíveis que correm o risco de
vencer sem serem utilizados”, destacou Éclesan.
Conforme
resposta da Secretaria Municipal de Saúde a um requerimento apresentado pela
parlamentar, dos 747 sensores disponíveis, 603 têm validade até 28 de fevereiro
de 2027 e outros 144 até 31 de julho de 2027. Os números preocupam a vereadora,
que alerta para a possibilidade de vencimento e descarte dos materiais caso não
haja ampliação do acesso.
Atualmente,
o programa municipal contempla crianças e adolescentes de 2 a 17 anos
diagnosticados com diabetes mellitus tipo 1. A estimativa inicial era atender
aproximadamente 40 pacientes. Para Éclesan, o número atual de beneficiários
reforça a necessidade de ampliar a cobertura. A vereadora considera positivo
que a demanda seja menor do que a inicialmente estimada, mas ressalta que todos
os pacientes que atendem aos critérios precisam ter acesso ao benefício.
A
iniciativa, implantada após reivindicações defendidas pela parlamentar,
representou um avanço no acompanhamento da doença. Entretanto, Éclesan destaca
que a necessidade de monitoramento não termina quando o paciente completa 18
anos. Segundo ela, a ampliação do atendimento também representa uma medida de
prevenção de complicações e de redução de custos para a saúde pública.
“Uma
internação custa infinitamente mais caro. Já não temos leitos no Santa
Terezinha, faltam leitos de UTI. Precisamos agir na prevenção de agravos, e
isso começa pela atenção básica”, argumentou.
A
vereadora lembrou que a ampliação já havia sido solicitada por meio de Pedido
de Providências, apresentado em 26 de junho. Também encaminhou requerimentos de
informações para conhecer o número de pacientes atendidos e a quantidade de
equipamentos disponíveis. Diante dos dados recebidos, apresentou novo pedido em
28 de outubro, reiterando a necessidade de ampliar os critérios de acesso.
Recursos
públicos e risco de perdas
A
parlamentar também lembrou a destinação de aproximadamente R$ 100 mil em emenda
impositiva para contribuir com a disponibilização dos sensores. Durante o
pronunciamento, manifestou preocupação com a possibilidade de perda dos
investimentos realizados caso os equipamentos não sejam utilizados dentro do
prazo de validade.
Éclesan
ressaltou que a gestão da saúde pública exige planejamento, organização,
eficiência e transparência, especialmente quando há pacientes que necessitam de
acompanhamento e equipamentos disponíveis em estoque.
Ao
encerrar sua manifestação, a vereadora fez um apelo para que o município
reavalie os critérios do programa e permita que mais pessoas com diabetes tipo
1 sejam beneficiadas.
“Saúde
é ciência, mas é imprescindível ter empatia. Precisamos de humanidade para
entender o sofrimento dos outros. Ninguém está livre de um dia ter um familiar
que precise”, afirmou.
A
parlamentar defende que a ampliação seja analisada com urgência, considerando a
validade dos equipamentos, a demanda de pacientes adultos e a necessidade de
garantir a utilização adequada dos recursos públicos.






