E
se o enfrentamento à violência contra a mulher começasse antes da denúncia,
antes da medida protetiva e antes da primeira agressão?
É
com essa proposta que a vereadora Enfermeira Éclesan Palhão (MDB) apresentou,
durante o Agosto Lilás, um projeto que autoriza o Município de Erechim a
instituir, na Educação Básica, a Política Municipal de Prevenção e
Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
A
iniciativa nasce diante de números que mostram a urgência de ampliar as
estratégias de enfrentamento. Nos primeiros seis meses de 2026, o Rio Grande do
Sul chegou a 48 feminicídios e 25.201 registros relacionados aos principais
indicadores de violência contra a mulher. Em Erechim, no mesmo período, foram
registrados 220 casos de ameaça, 105 de lesão corporal, 11 estupros e uma
tentativa de feminicídio.
Para
Éclesan, além de acolher as vítimas, proteger as mulheres e responsabilizar os
agressores, é preciso avançar em uma frente fundamental: a prevenção.
“Se
continuarmos agindo somente depois que a violência acontece, quando
conseguiremos realmente mudar essa realidade? Precisamos entrar antes. Antes da
agressão, antes da ameaça, antes que comportamentos violentos sejam entendidos
como normais. E a Educação pode ser uma grande virada de chave”, destaca.
A
proposta prevê que temas como respeito, limites, consentimento, igualdade,
relações saudáveis e identificação das diferentes formas de violência possam
ser trabalhados de maneira adequada à idade dos estudantes, de forma
transversal e interdisciplinar, respeitando a autonomia pedagógica das escolas.
Um
dos pontos centrais é que a prevenção não seja direcionada somente às meninas.
O projeto também propõe ações com o público masculino, trabalhando, desde a
infância, o respeito às mulheres, os limites, o consentimento e a não
violência.
“Não
conseguiremos enfrentar a violência contra a mulher conversando somente com as
mulheres. Precisamos ensinar nossas meninas a reconhecer os primeiros sinais de
uma relação abusiva, mas também precisamos educar nossos meninos para que se
tornem homens que saibam respeitar limites, escolhas e um não.”
A importância da construção conjunta da proposta também ficou demonstrada durante a sessão, que contou com a presença do comandante do 13º BPM, tenente-coronel Maurício Paraboni Detoni; do promotor de Justiça Fabrício Gustavo Allegretti; de Sérgio Luís Moreira Moura, comissário de polícia; e da secretária municipal de Educação, Verenice Lipsch (Maninha).
Éclesan
fez um agradecimento especial a Sérgio, que realizou a ponte com a delegada
Diana Zanatta, e à secretária Maninha, que contribuíram com seus conhecimentos
para o aprimoramento e a construção do projeto.
Para
a vereadora, a proposta busca deixar um resultado que ultrapasse o presente e
alcance as próximas gerações.
“Talvez
nunca consigamos medir quantas agressões deixaram de acontecer porque ensinamos
respeito antes que a violência começasse. Mas esse é exatamente o objetivo da
prevenção: agir antes. Se queremos mudar os números que hoje nos assustam,
precisamos começar agora a construir os números que queremos ver no futuro.”