Foi aprovado na
sessão legislativa da última semana, o Projeto de Lei Ordinária, de autoria da
vereadora Éclesan Palhão (MDB), que institui o Programa Ingresso Social. A
iniciativa autoriza a oferta gratuita de ingressos para eventos culturais,
teatrais, shows, atividades artísticas e esportivas de lazer realizados em
espaços públicos do município ou em parceria com o poder público, destinados a
pessoas em situação de vulnerabilidade social atendidas pelos serviços, ou com
renda que impossibilite o pagamento.
Durante sua
manifestação em plenário, a vereadora destacou que o acesso a experiências
culturais e esportivas pode transformar trajetórias de vida e despertar novos
horizontes para crianças, jovens e adultos.
“Quando damos a
possibilidade de uma criança ver alguém tocando violino, se ela não sabe que o
violino existe, nunca vai sonhar em ser violinista”, afirmou Éclesan. “O mesmo
vale para o esporte, para a arte, para tudo aquilo que amplia o mundo e rompe
ciclos de desigualdade.”
A vereadora
reforçou que o ciclo da pobreza se rompe quando novas possibilidades são
apresentadas. “Não adianta oferecer o Bolsa Família se a pessoa acredita que
não existe nada além daquilo. Crianças que desenvolvem sonhos vão lutar para
alcançá-los”, complementou.
O programa prevê
que pessoas cadastradas no CadÚnico, acompanhadas pelo CRAS e CREAS, pacientes
especiais e seus acompanhantes, neuroatípicos, pessoas atendidas pela saúde
mental, pessoas com deficiência, idosos em situação de vulnerabilidade e
beneficiários de programas de transferência de renda possam, a partir de agora,
ter acesso aos ingressos.
Segundo Éclesan, o
projeto não representa impacto financeiro aos cofres públicos. A iniciativa
funciona como uma regulamentação autorizativa para que o Município possa organizar
e distribuir ingressos disponíveis como contrapartida em eventos realizados em
espaços públicos, evitando que cadeiras permaneçam vazias.
A vereadora também
destacou o caráter social e pedagógico da proposta. “Se uma criança, ao ver uma
luta, decidir sair da violência para se tornar atleta; se outra, ao ver uma
orquestra, sonhar em tocar flauta; se uma pessoa apenas tiver seu horizonte
ampliado, já teremos feito a diferença. É um projeto que inclui”, afirmou.
O Programa
Ingresso Social poderá ser utilizado por diversas secretarias municipais,
incluindo Cultura, Esporte, Educação, Saúde e Assistência Social. A
regulamentação será elaborada pelo Poder Executivo, que definirá os percentuais
de ingressos, os critérios de distribuição e os mecanismos de controle,
garantindo transparência e equidade.
Para Éclesan, o
projeto simboliza um passo concreto no combate às desigualdades de forma
estruturante.
“Nós não queremos
reforçar o assistencialismo. Queremos mostrar que existe um mundo além, que há
oportunidades possíveis, que sonhos podem ser despertados.”
A proposição foi
bem recebida pelos parlamentares e aprovada por unanimidade.