O
vereador Claudemir de Araújo (Progressistas) entregou, na tarde desta
sexta-feira (7), à diretora do PROCON de Erechim, Roseli Battisti, uma
representação para que sejam apuradas possíveis irregularidades no faturamento
das contas de energia elétrica dos consumidores do município. O encontro também
foi acompanhado pela equipe administrativa e pelos fiscais do órgão de defesa
do consumidor.
A
iniciativa ocorre após a manifestação de centenas de consumidores nos últimos
dias, que relatam aumentos significativos nos valores das faturas emitidas pela
CPFL RGE. Embora a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) tenha
autorizado reajuste tarifário, o vereador considera necessário verificar se,
além da elevação regularmente autorizada, existem casos em que os valores
cobrados apresentam aumentos desproporcionais em relação à variação tarifária e
ao histórico de consumo de cada unidade.
“Precisamos
separar o que é o reajuste tarifário autorizado daquilo que pode eventualmente
ser erro de leitura, medição ou faturamento. São centenas de pessoas procurando
respostas e relatando situações muito semelhantes. Por isso, estamos levando
essa demanda ao PROCON para que os casos sejam analisados de forma técnica e,
se forem constatadas irregularidades coletivas ou sistêmicas, sejam tomadas
todas as medidas necessárias para proteger os consumidores”, afirmou Araújo.
PROCON
deverá levantar reclamações
Na
representação, o vereador solicita que o PROCON Municipal realize um
levantamento detalhado das reclamações envolvendo a RGE, especialmente no
período entre junho e agosto de 2026.
Entre
as informações que poderão ser analisadas estão a quantidade total de
reclamações; quantas estão relacionadas especificamente ao aumento das faturas;
os bairros ou regiões das unidades consumidoras; o consumo anterior e atual em
kWh; o percentual de aumento das contas; a existência de faturamento pela
média; eventuais correções realizadas pela concessionária; o número de
reclamações consideradas procedentes; e as principais justificativas
apresentadas pela empresa.
A apuração também deverá verificar possíveis ocorrências de alterações abruptas e injustificadas no consumo registrado, dificuldades ou falhas na leitura dos medidores, faturamento pela média, acúmulo de consumo de períodos anteriores, alterações no ciclo de faturamento, cobranças adicionais ou extraordinárias, recuperação de consumo, erros cadastrais ou de medição e eventual aplicação incorreta de tarifas, tributos, encargos ou bandeiras tarifárias.
Outro
ponto considerado importante é identificar se os problemas eventualmente
relatados estão concentrados em determinados bairros, regiões ou classes de
consumidores, o que poderia indicar a existência de um problema de caráter
sistêmico.
Possível
Ação Civil Pública
Para
Araújo, o grande número de reclamações reforça a necessidade de uma análise
coletiva da situação. Caso sejam identificadas irregularidades que ultrapassem
casos individuais, o parlamentar defende que sejam adotadas as medidas
previstas no Código de Defesa do Consumidor e nas demais normas aplicáveis.
A
representação também solicita que, diante de elementos que indiquem possível
lesão ou risco de lesão a interesses individuais homogêneos, coletivos ou
difusos, o PROCON avalie o acionamento do Ministério Público Estadual, para que
o órgão possa analisar a conveniência da instauração de Notícia de Fato,
Procedimento Preparatório ou Inquérito Civil.
Caso
a investigação confirme a existência de cobranças abusivas ou falhas coletivas
e sistêmicas no faturamento, Araújo defende que o caso avance para as medidas
judiciais cabíveis, incluindo o encaminhamento de uma Ação Civil Pública em
defesa dos consumidores de Erechim.
“A
energia elétrica é um serviço público essencial. Não podemos tratar como
situações isoladas centenas de consumidores que estão relatando aumentos
expressivos em suas contas. Se houver comprovação de uma irregularidade
coletiva, é preciso responsabilizar quem for de direito e garantir que os
consumidores tenham seus direitos preservados, inclusive com a adoção de
medidas judiciais”, destacou o vereador.
A
intenção, segundo Araújo, não é questionar o reajuste tarifário regularmente
autorizado, mas garantir transparência, informação adequada e fiscalização,
permitindo identificar quais aumentos são efetivamente decorrentes da tarifa
homologada pela ANEEL e quais podem ter origem em falhas de medição, leitura ou
faturamento.
“Estamos
fazendo a nossa parte como vereador e como representante da população. O
consumidor precisa ter segurança de que está pagando exatamente pelo que
consumiu e de que a sua conta foi calculada corretamente. Se houver abusos,
precisamos ir até o fim para defender a população”, concluiu Araújo.